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Pequenas relembranças alemãs: o PqP

perfil de uma mulher em frente a uma parede de tijolinho segurando um livro na frente do rosto

Já faz seis anos que eu me formei bacharel em alemão e dez anos que eu tive minha última aula de língua alemã. De lá pra cá meu alemão melhorou o suficiente pra eu me meter a traduzir Grimm e dar aulas a uma amiga. Mas algumas coisas eu esqueci como funcionam, então de vez em quando eu pesquiso algum aspecto da gramática alemã pra relembrar. E fico contentinha.

A última relembrança alemã foi a conjugação verbal no tempo mais-que-perfeito do indicativo, ou Plusquamperfekt, ou PqP para os íntimos. Eu lembrava de ter aprendido rápido na faculdade, mas não lembrava muito bem pra que ele servia. Daí lá fui eu pesquisar como funciona e – grata surpresa! – ficou mais fácil de entender do que há dez anos, porque eu vi uma abordagem contrastiva aqui. Eu nunca tinha parado pra pensar nos benditos tempos compostos do português porque, de fato, como o moço diz no artigo dele, a gente só aprende as formas simples, quando chega nas compostas a coisa desanda.

A gente também tem o pretérito mais-que-perfeito no português. O interessante é que usamos mais o tempo composto do que o tempo simples: você não diz “eu fizera o bolo”, você diz “eu tinha feito o bolo”. No tempo composto a gente usa o auxiliar no pretérito perfeito (ter – tinha) e o verbo principal no particípio (fazer – feito, já que fazido não existe e é horrível).

Ou seja, o pretérito mais-que-perfeito indica uma ação acabada no passado. Daria pra transformar essa oração em uma coordenada pra melhor entendimento: “eu tinha feito o bolo quando ouvi a campainha tocar”. Ou seja, na primeira oração a ação foi terminada no passado (tinha feito) antes do passado da segunda oração (ouvi).

E no alemão é a mesmíssima coisa! Usando o PqP, eu digo “ich hatte den Kuchen gemacht, que é o auxiliar no pretérito perfeito, ou Präteritum (haben – hatte) e o verbo principal no particípio, ou Partizip II (machen – gemacht)

Eu sei que deve ter algo parecido no inglês, mas eu me perco um pouco no meio de todos aqueles tempos e aspectos malucos – porque eu aprendi inglês na marra, sem curso – então um dia eu tento me achar na gramática inglesa. Mas alemão é mó legal. Eu recomendo.

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